Técnica de Gravação em Salas Acústicas: realidade do som

Pensando em todas as maneiras através das quais localizamos o som, é fácil entender por que dois alto-falantes, numa sala de estar, não conseguem apreender a amplitude de uma sala de concerto. Ao gravar uma sinfonia, os microfones captam ecos vindos de todas as partes da sala, bem como o som que vem diretamente dos instrumentos. Mas, quando se põe a gravação para tocar, todos os ecos da sala aproximam-se de nós pela frente. Esses ecos tornam a ecoar, depois, em sua sala de estar, produzindo uma confusão. A melhora não é grande quando se grava com microfones em todas as partes de uma sala de concertos e, depois põe-se outra vez o som para tocar com microfones de todos os lados. Afinal, uma pessoa sentada numa sala de concertos usa apenas dois microfones para ouvir uma sinfonia – seus ouvidos. Mas, ao contrário dos microfones mecânicos, os ouvidos tratam de forma diferente o som que vem de cada direção.

Para a música gravada soar autêntica, especialmente, aos nossos ouvidos, são precisos microfones com orelhas. Parece uma idéia despropositada mas, de fato, vem sendo posta em prática há anos. O procedimento é esculpir uma cabeça do tamanho normal, com orelhas típicas, e encravar microfones do tipo comum na extremidade dos canais do ouvido. A cabeça bloqueia as altas frequência e cria as demoras adequadas entre os ouvidos, enquanto as orelhas fazem os reflexos habituais. Situe-se a cabeça no melhor assento numa sala de concertos e execute-se uma ópera. Depois, ouça-se a gravação através de headphones colocados dentro do ouvido, de modo que o som não se reflita através da sala nem em torno de suas orelhas. O efeito é mágico. Um sussuro atrás da orelha é ouvido exatamente ali, atrás da orelha. O que é lamentável, poucas gravações foram feitas com essa técnica, porque ela só funciona bem com microfones de ouvido e também porque os engenheiros gostam de trabalhar com dúzias de microfones, para ajustar o equilíbrio de uma orquestra. Se a amplitude da música é importante para você, não há nada que substitua uma boa sala de concertos.

Fonte: Livro “Música, Cérebro e Êxtase” de Robert Jourdain

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