Telescópio flagra tempestades ejetando antimatéria para o espaço

O telescópio espacial Fermi, especializado na observação de raios gama, detectou feixes de antimatéria produzidos acima das tempestades na Terra, um fenômeno nunca visto antes.

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Raios e antimatéria

Os cientistas acreditam que as partículas de antimatéria foram formadas em um flash de raios gama terrestre (TGF), uma rápida explosão produzida no interior das tempestades de raios.

Estima-se que cerca de 500 TGFs ocorram diariamente em todo o mundo, mas a maioria não é detectada.

"Esses sinais são o primeiro indício direto de que as tempestades produzem feixes de partículas de antimatéria," afirma Michael Briggs, da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos.

Ele apresentou os resultados das pesquisas com o telescópio da NASA nesta segunda-feira, durante uma entrevista coletiva na reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Seattle.

Raios gama

O telescópio Fermi foi projetado para monitorar os raios gama, a forma mais energética da luz.

Quando a antimatéria colide com uma partícula de matéria normal, ambas são aniquiladas, produzindo uma emissão de raios gama.

Telescópio flagra tempestades ejetando antimatéria para o espaço

Menos de 2 milissegundos depois de ser gerado na tempestade, o feixe de elétrons-pósitrons atingiu a altitude do telescópio Fermi. [Imagem: NASA]

O instrumento GBM (Gamma-ray Burst Monitor) do telescópio Fermi detectou raios gama com energias de 511.000 elétron-volts, um sinal que um elétron encontrou sua contraparte de antimatéria, o pósitron.

O aparelho já identificou 130 TGFs desde o lançamento de Fermi, em 2008.

O TGF que permitiu a detecção da antimatéria ocorreu em 14 de Dezembro de 2009, sobre o Egito. Mas a tempestade ativa estava em Zâmbia, cerca de 4.500 quilômetros ao sul.

Surfe magnético

A emissão de raios gama gerou elétrons e pósitrons, que "surfaram" nas linhas do campo magnético da Terra até atingir o detector do telescópio.

O feixe passou pelo Fermi, atingindo um local conhecido como ponto espelho, onde seu movimento se inverteu e, em seguida, atingiu o observatório uma segunda vez, apenas 23 milésimos de segundo depois.

Nas duas vezes, os pósitrons colidiram com elétrons no telescópio – as partículas se aniquilaram, emitindo raios gama, que foram detectados pelo GBM.

O telescópio Fermi foi o mesmo que descobriu, há poucos dias, bolhas gigantescas na Via Láctea.

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